sábado, 7 de março de 2015

APANHADA DO CHÃO

Sentado numa esplanada, desfrutando os raios de sol de inverno, vislumbrei um fumador de charutos, que acompanhado degustava, com prazer, um belo charuto. Claro que o que me atraiu não foi a linguagem do charuto nem o seu cheiro. Naquele corpo, roliço, feito de tabaco, cujo fumo envolvia o ambiente, o que despertou a minha atenção foi a cinta de charuto.

Envolvendo a peça, a cinta, indiferente à aproximação do fogo, parecia esperar o momento oportuno par fugir àquele incêndio. Assim pensei.

Iniciei então uma caminhada para baixo e para cima, esperando que a cinta fosse salva. Na última passagem, tendo perdido de vista o espaço, fui surpreendido com o desaparecimento do fumador e do charuto. A tristeza invadiu o meu rosto pela perda da oportunidade em deitar mão àquela cinta. Aproximei-me da mesa, palco e cenário da tragédia e, olhando atentamente para o chão, uma luz iluminou a cinta que jazia. Aproximei-me e recolhia-a. Era um Bolivar, fotografia do general sul-americano, protagonista das guerras de independência das colónias espanholas da América do Sul.

Tinha salvo a cinta de charuto e o meu dia.